Uma canção que nasce do silêncio e da escuta
“Brote Outra Vez” inaugura a atmosfera poética e sonora do próximo álbum de Priscilla Novaes, previsto para 2026. Mais do que um single, a canção marca um ponto de inflexão em sua trajetória artística: um convite à escuta sensível em tempos atravessados por rupturas, incertezas e recomeços. Lançada nas plataformas digitais e acompanhada de um videoclipe delicado e intimista no YouTube, a música é fruto de um processo que vai além da criação musical — trata-se de um percurso profundamente reflexivo.
A canção surge no contexto do projeto Cultura & Resiliência, pesquisa autoral que investiga como a arte tem sustentado a humanidade em períodos de crise — guerras, exílios, silenciamentos culturais e colapsos simbólicos. Ao longo de entrevistas, leituras e diálogos com artistas e pesquisadores, um fio comum se revela: a esperança não como ingenuidade, mas como insistência. Algo que brota mesmo quando o solo parece estéril.
Florescer depois do inverno
A imagem do brotar acompanha todo o processo de composição. Brotar após o inverno, após a perda, após o silêncio. “Brote Outra Vez” fala dessa força discreta que não faz alarde, mas transforma. Não se trata de negar a dor, e sim de atravessá-la com consciência e sensibilidade. A canção habita esse território liminar entre fragilidade e força — um espaço que a arte reconhece e conhece intimamente.
No campo musical, a escolha foi por uma sonoridade orgânica e intimista, capaz de dialogar com tradições ancestrais e, ao mesmo tempo, com a linguagem contemporânea. Nesse contexto, o bandolim assume papel central.
O bandolim e sua travessia na música celta
A presença do bandolim na música folk celta é resultado de uma trajetória de adaptação e integração cultural. De origem italiana, o instrumento não é “nativamente” celta, mas encontrou lugar significativo na sonoridade tradicional da Irlanda e da Escócia a partir da segunda metade do século XX. Sua afinação, semelhante à do violino, e seu timbre agudo favoreceram sua inserção em reels e jigs, dialogando com a vitalidade da música tradicional.
Entre os pioneiros dessa incorporação está Andy Irvine, conhecido por seu trabalho com o grupo Planxty. Sua abordagem ajudou a consolidar o bandolim não como um elemento estrangeiro, mas como uma voz legítima dentro do folk celta.
Para quem acompanha o trabalho de Priscilla Novaes desde o lançamento de “Folhas de Outono”, em 2022, essa escolha não é novidade. O bandolim é parte fundamental de sua linguagem musical e, em “Brote Outra Vez”, ultrapassa a função instrumental para se tornar símbolo de travessia, diálogo cultural e continuidade.
Música como memória e resistência
“Brote Outra Vez” é, em essência, uma canção sobre permanecer. Sobre a arte como espaço de memória, resistência e reconstrução interior. Em tempos de crise, a música não oferece soluções imediatas — mas sustenta. E, muitas vezes, sustentar já é um gesto profundamente revolucionário.
🎧 Ouça “Brote Outra Vez” nas plataformas digitais.
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