Série documental conduz o público até a antiga cidade de Ugarit e dialoga com pesquisas do projeto Cultura e Resiliência
DA REDAÇÃO
A temporada 2026 da série de vídeos Jornada da Música estreou nesta semana propondo uma viagem às origens mais profundas da experiência musical humana. Desenvolvida no âmbito do projeto Música & Linguagens, a série aposta em uma abordagem documental que cruza história, arqueologia e reflexão cultural para investigar como diferentes povos registraram sua memória por meio do som.
O episódio de abertura leva o público até Ugarit, antiga cidade localizada na atual Síria, onde, na década de 1950, arqueólogos descobriram dezenas de tabuletas de argila escritas em cuneiforme. Muitas estavam fragmentadas ou quase ilegíveis e, à primeira vista, pareciam conter apenas registros administrativos comuns.
Entre essas tabuletas, no entanto, uma se destacou. Hoje conhecida como o Hino Hurriano, ela revelou aquilo que viria a ser reconhecido como a mais antiga notação musical da história, com mais de 3.000 anos. Gravada em argila, a tabuleta preserva não apenas palavras, mas instruções sonoras — evidência de que a música já era pensada, organizada e transmitida como forma de memória coletiva nas civilizações antigas.
A partir desse achado, Jornada da Música amplia o olhar para além do episódio específico. A série propõe uma reflexão sobre a presença constante da música ao longo da história humana: das flautas paleolíticas aos registros escritos, dos rituais às estruturas simbólicas que atravessaram impérios, guerras e deslocamentos. Mais do que som, a música aparece como território, identidade e resistência cultural.
A nova temporada dialoga diretamente com outras frentes de pesquisa conduzidas por Priscilla Novaes, idealizadora do projeto Música & Linguagens. Atualmente, Priscilla está em meio à escrita e à realização de entrevistas para o projeto Cultura e Resiliência, que investiga como a arte e a produção cultural sustentam a humanidade em contextos de crise histórica, social e simbólica.
Nesse sentido, Jornada da Música surge como uma espécie de diário de pesquisa audiovisual, acompanhando temas e inquietações que também atravessam o livro em desenvolvimento. A música, tanto na série quanto no projeto editorial, é apresentada como um arquivo vivo — capaz de atravessar ruínas, preservar identidades e manter viva a experiência humana mesmo nos períodos mais instáveis da história.
O primeiro episódio da temporada 2026 já está disponível e marca o início de uma série de documentários que investigam como povos do mundo inteiro guardaram sua história na música, no mito e na memória.

Assista ao primeiro episódio da Jornada da Música
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