Quem acompanha a minha jornada acadêmica sabe que, como historiadora, sou fascinada pela natureza e observar o que ela tem a nos ensinar. Há caminhos que a nossa própria memória traça nos silêncios da vida, e isso reflete na minha nova música que será cantada em espanhol.
Eu carrego a herança da Espanha viva pelo lado dos meus avós, e as raízes latino-americanas pulsam forte pelo lado do meu pai. Quando eu tinha apenas 5 anos, nossa família mudou-se para o Chile, onde vivemos por quatro anos inesquecíveis. Mesmo após o retorno ao Brasil, a doçura e a força da língua castelhana nunca me deixaram; eu sempre me pegava cantarolando em espanhol nos momentos de calmaria em casa.
Mas o terceiro single do álbum Canções do Atlântico, “Colores del Sol”, nasceu de um mistério profundo.
Há alguns meses, eu sonhei com a música. Não foi um vislumbre ou um fragmento: eu sonhei com a canção inteira, com a sua melodia, os seus arranjos e, para minha surpresa, cantada inteiramente em espanhol. Assim que acordei, com o coração acelerado e tomado por uma emoção linda, peguei o celular e registrei cada nota para não esquecer. Sonhar com uma composição completa foi como abrir um baú de tesouros trancado pelo tempo. Foi o Atlântico me lembrando de quem eu sou.
E essa busca pelo sol me fez refletir sobre algo fascinante da própria geografia do nosso planeta.
Na Espanha, que fica no Hemisfério Norte, a jornada do sol no céu ocorre de forma diferente da nossa: ela é sempre inclinada. O sol nunca passa diretamente a pino, sobre a cabeça. Ele descreve um arco e se deita no horizonte. Lá, as estações são extremas. No ápice do verão, o sol insiste em brilhar até perto das 22h da noite. Mas, quando o inverno chega, o dia se recolhe e a escuridão toma conta já às 18h.
Enquanto o sol brilha intensamente na Espanha, aqui no Brasil o anoitecer já chegou. E essa física dos oceanos e dos fusos horários nos ensina uma lição dolorosa, mas bela, sobre a nossa própria jornada humana.
A vida é feita de fusos horários das estações. O sol segue o seu caminho incessante, mas ele não brilha igual para todos ao mesmo tempo. Há momentos em que você se encontra na sua noite mais escura, fria e silenciosa, enquanto olha para o lado e vê pessoas vivendo o topo do seu próprio verão.
Mas a grande verdade do Atlântico é que a noite não é eterna. A Terra continua girando. Enquanto você espera no escuro, a sua ascensão está sendo preparada no horizonte. No tempo certo, o amanhecer chega, o fuso horário muda e as cores e a luz voltam a inundar a sua vida.
Em “Colores del Sol”, que chega no dia 26 de junho às plataformas de streaming, é o meu resgate de memórias familiares, um abraço na minha infância no Chile e um tributo a essa luz que teima em florescer em mim, não importa quão longa tenha sido a noite.
Espero que, ao ouvirem a doçura dessa faixa, vocês também consigam fechar os olhos e lembrar que o seu amanhecer está a caminho.
✨ Nos vemos no dia 26 de junho. O sol está prestes a nascer.

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